10 de jul de 2008

O Leão e o Rato

Depois que o Leão desistiu de comer o rato porque o rato estava com espinho no pé (ou por desprezo, mas dá no mesmo), e, posteriormente, o rato, tendo encontrado o Leão envolvido numa rede de caça, roeu a rede e salvou o Leão (por gratidão ou mineirice, já que tinha que continuar a viver na mesma floresta), os dois, rato e Leão, passaram a andar sempre juntos, para estranheza dos outros habitantes da floresta (e das fábulas). E como os tempos são tão duros nas florestas quanto nas cidades, e como a poluição já devastou até mesmo as mais virgens das matas, eis que os dois se encontraram, em certo momento, sem ter comido durante vários dias.

Disse o Leão:- Nem um boi. Nem ao menos um paca. Nem sequer uma lebre. Nem mesmo uma borboleta, como hors-d'oeuvres de uma futura refeição.

Caiu estatelado no chão, irado ao mais fundo de sua alma leonina. E, do chão onde estava, lançou um olhar ao rato que o fez estremecer até a medula. "A amizade resistiria à fome?" - pensou ele. E, sem ousar responder à própria pergunta, esgueirou-se pé ante pé e sumiu da frente do amigo(?) faminto. Sumiu durante muito tempo. Quando voltou, o Leão passeava em círculos, deitando fogo pelas narinas, com ódio da humanidade. Mas o rato vinha com algo capaz de aplacar a fome do ditador das selvas: um enorme pedaço de queijo Gorgonzola que ninguém jamais poderá explicar onde conseguiu (fábulas!). O Leão, ao ver o queijo, embora não fosse um animal queijífero, lambeu os beiços e exclamou:

- Maravilhoso, amigo, maravilhoso! Você é uma das sete maravilhas! Comamos, comamos! Mas, antes, vamos repartir o queijo com equanimidade. E como tenho receio de não resistir à minha natural prepotência, e sendo ao mesmo tempo um democrata nato e confirmado, deixo a você a tarefa ingrata de controlar o queijo com seus próprios e famélicos instintos. Vamos, divida você, meu irmão! A parte do rato para o rato; para o Leão, a parte do Leão.

A expressão ainda não existia naquela época, mas o rato percebeu que ela passaria a ter uma validade que os tempos não mais apagariam. E dividiu o queijo como o Leão queria: uma parte do rato, outra parte do Leão. Isto é: deu o queijo todo ao Leão e ficou apenas com os buracos. O Leão segurou com as patas o queijo todo e abocanhou um pedaço enorme, não sem antes elogiar o rato pelo seu alto critério:

- Muito bem, meu amigo. Isso é que se chama partilha, Isso é que se chama justiça. Quando eu voltar ao poder, entregarei sempre a você a partilha dos bens que me couberem no litígio com os súditos. Você é um verdadeiro e egrégio meritíssimo! Não vai se arrepender!

E o ratinho, morto de fome, riu o riso menos amarelo que podia, e ainda lambeu o ar para o Leão pensar que lambia os buracos de queijo. E enquanto lambia o ar, gritava, no mais forte que podiam seus fracos pulmões:

- Longa vida ao Rei Leão! Longa vida ao Rei Leão!



MORAL: Os ratos são iguaizinhos aos homens



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Texto de Millôr Fernandes

6 de jul de 2008

Era domingo...

Era domingo. Dia comum.
Todos entraram no carro e resolveram dar uma volta...
Depois de alguns minutos alguém sugeriu que fossem tomar banho em uma bica que ficava ali pertinho. Depois de vááários km percorridos, decidiram parar em um buteco pra tomar alguma coisa antes de prosseguirem rumo a bica. Depois de umas cervejinhas pros adultos e refrigerantes pras crianças, o passeio continuou. Alguns km a frente aparece a tal bica. Era um tanque antigo e na parede tinha um buraco bem pequeno de onde saia a água. Todo mundo deu muita risada e curtiram a beça. Fizeram uma fila indiana e um de cada vez ficava um pouquinho embaixo da bica.
Depois que todo mundo já tinha experimentada a bica, resolveram ir a um balneário. O balneário tinha uma piscina normal, uma piscina natural, alguns campos de futebol, um bar, uma churrasqueira e três bicas. Foram todos para as bicas. Essas sim eram de verdade. Se divertiram muito e voltaram pro bar. Os adultos bebiam e as crianças corriam de um lado pro outro, pulavam nas piscinas, corriam nos campos, iam pras bicas...
Depois que saíram do balneário, ainda tinha uma última parada antes de irem pra casa. Um dos adultos tinha uma casa na beira do rio e resolveram ir pra lá.
Enquanto os adultos conversavam na sala, as crianças já estavam brincando na parte da frente da casa, só que quando o rio enchia, a parte da frente da casa virava uma piscina e era bem nessa parte que as crianças estavam se divertindo.
Depois disso, todos foram pra casa. E assim termina o dia:
Os adultos na cozinha, tomando a última cerveja enquanto conversam sobre o dia que tiveram e as crianças na cama, dormindo exaustas.


Era domingo. Dia comum.

3 de jul de 2008

Presente de Príncipe!


Primeiro eu gostaria de agradecer ao Príncipe pelo presentinho que ele me deu, o selo 'Blog amigo'. =D
E agora eu tenho que cumprir a missão que me foi dada, postar aqui a 5ª frase da página 161 do livro mais próximo. O livro escolhido, foi o livro que eu estou lendo agora. A insustentável leveza do ser, Milan Kundera:

"A pequena cabeça sem corpo mexia-se lentamente e, de vez em quando, o bico deixava escapar um som triste e rouco."